Oh! que saudades eu sinto dos tempos de monografia!

•Novembro 1, 2009 • 5 Comentários

“Sinto saudades de escrever uma monografia. Saudades de ler de tudo e mais um pouco, selecionar o que me interessa, o que é útil, aprender coisas novas, ligar fatos, criar sentenças e formar minha própria opinião sobre determinado assunto. Depois de tudo isso, ainda poder escrever, escrever e escrever: criar capítulos, divisões, títulos, e, o mais legal de tudo, colocar notas de rodapé!

“Ah, como eu amo essas notas de rodapé! Sempre se parecem com uma pílula milagrosa para aquela sentença que nem mesmo o autor conseguiu entender. Ledo engano! Adoro ainda mais quando se tem três parágrafos em uma só nota, aí sim há um desafio ao leitor. Como é divertido imaginá-los permeando por aqueles labirintos de complexidade criados com o mero intuito de mascarar uma falta dessa mesma complexidade.

“Mas não é por isso que sinto saudades duma monografia, mas sim pelo fato de que é um trabalho que demanda muito de mim, que me envolve com as palavra que eu mesmo organizo e que tira da minha carne a tinta necesária para a impressão. Escrever não como uma obrigação de algum curso, mas escrever egoísticamente, apenas para registrar o pensamento. Quando está pronta, o que vejo não é um amontoado de papéis numerados, escritos e unidos por ataduras, com uma capa de apresentação que mostra o título escolhido, mas sim um retrato perfeito de uma pequena parte de meu pensamento, sem nenhuma idealização, com todas as opiniões lá mostradas em seus mais pequenos detalhes, assim como todas as suas imperfeições e suas marcas de idade.

“O mais perfeito retrato de corpo inteiro viria não de uma sessão de várias horas com um pintor, mas de diversas monografias do mesmo autor unidas, cada uma com um tema e uma opinião diferentes, que se permeam, citam-se, e mostram não a casca exterior, que pode ser mascarada por maquiagens e, nos tempos mais modernos, por  cirurgias plásticas e implantes, mas mostram, sim, toda a massa interior, pulsante, cinzenta, vermelha, negra, amarela, de todas as cores, que é a verdadeira face a ser mostrada.

“Compor esse retrato demanda anos, e, muitas vezes, vem postumamente, quando se encontra num cofre secreto na sala de jantar alguns manuscritos que dão as últimas pinceladas na parte mais importante do quadro: os olhos.

“Hei de expor essa face minha ao mundo! Mas, ah, como haverão notas de rodapé!”

Variações

•Outubro 29, 2009 • 1 Comentário

Já estão começando a aparecer as decorações de Natal, e esse ano elas estão atrasadas, pois geralmente começam a partir do dia 15 de outubro! O ano está sendo complicado, com muitas variações sobre mesmas discussões e muitos conflitos causados por causa das mesmas. Por isso, para relaxar um pouco e fazer um paralelo com a atualidade (como já fiz antes aqui), as Variações de Goldberg, de J. S. Bach, interpretadas pelo saudoso Glenn Gould (1932-1982):

Nota: Gostaria de por o áudio aqui, mas como não consegui, aí estão os vídeos.

Nota nº2: O bom é ouvir todas sem interrupções.

1ª à 7ª:

8ª à 14ª:

15ª à 19ª:

20ª à 24ª:

25ª:

26ª à 30ª e Ária:

O que é, afinal?

•Outubro 29, 2009 • Deixe um comentário

Fenômeno na internet no ano passado, Ednaldo Pereira surgiu com videoclipes amadores de músicas próprias no Youtube. Muito é discutido sobre sua utilização de versos brancos e livres, que muitas vezes chegam a não compactuar com o ritmo. Em minha opinião é um mero recurso artístico para quebrar com as formas tradicionais, à guisa de poetas Modernistas.

Ednaldo possui uma extensa obra disponível para ser agraciada, das quais analisarei algumas das que possuem mensagens que passam desapercebidas algumas vezes:

1. What Is the Brother?

Sem dúvida sua canção mais famosa e a que o lançou à fama virtual, ela versa com uma discussão acerca da caridade e da destruição da mesma por uma sociedade egoísta: O que é o “Irmão”?

Após uma breve introdução, segue-se uma melodia simples e repetitiva no teclado que, com o mesmo intuito da propaganda política de Emael (O Democrata Cristão), visa, antes de tudo, se prender  à consciência do ouvinte para, então, começar o ataque.

De fato, o que faria de alguém um “Irmão”?  Enquanto busca a resposta à pergunta, Ednaldo analisa as relações vigentes em nossa sociedade capitalista para tentar descobrir o por quê de não mais existirem boas ações feitas somente por bondade.

O “Irmão” seria um indivíduo filantrópico que não busca nada em retorno pelas boas ações que pratica. A solução para que hajam mais “Irmãos” na sociedade, segundo Ednaldo Pereira, seria uma mudança radical no sistema capitalista vigente (que o cantor mostra, através de metáforas, ser um “lixo”) para colocar, em seu lugar, um Estado que beira o socialista e o do bem-estar social.

Um videoclipe de cerca de quatro minutos, possui, como destaques, a commovente cena no asilo, o solo de teclado harpejando algumas oitavas e os efeits especiais Hollywoodianos.

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O por que deste blog

•Outubro 12, 2009 • Deixe um comentário

“A alma humana é tão sutil e complicada que traz confusão à vista nas suas operações exteriores.” – Machado de Assis

“Freqüentemente tenho longas conversas comigo mesmo, e sou tão inteligente que algumas vezes não entendo uma palavra do que estou dizendo.” – Oscar Wilde

Acho que estava devendo essa discussão a mim mesmo, mas é bom que visitantes saibam disso também.

Na verdade, esse blog surgiu do encontro de vários fatores diferentes que ocorreram no meu último ano de colegial, sendo que alguns foram inconscientes e/ou imperceptíveis, fazendo com que só tomasse conta deles agora.

Tudo começou em fevereiro, quando as aulas tiveram inícios. Dentre os professores se encontrava um dos meus grandes motivadores a expressar essa prolixidade que já há muito que se remexia em meu interior, mas sem nunca tomar forma. Seu nome era Cláudio Aguiar, um doutor em história – escreveu um livro nos meados da década de 1980 sobre a figura do malandro no Rio de Janeiro dos anos 1930 – e um ótimo orador. Suas aulas eram permeadas por uma lógica inabalável, um discurso conciso, coerente e uma retórica “dantesca”. Eu mesmo fui muitas vezes incapacitado de seguir esse raciocínio complexo e acabei por perder a consciência durante alguns breves 45 minutos.

Ele começou o ano nos introduzindo aos fatos ocorridos antes, durante e depois da Primeira Guerra Mundial, passando pela Revolução Russa. Tudo isso foi ajudado por diversas sessões de análise de material audiovisual, tais como O Encouraçado Potenkim e Glória Feita de Sangue. Todas as sessões eram pausadas e comentadas pelo doutor, que não deixava um pequeno detalhe escapar à nossa compreensão. Os textos que ele nos passava eram, por sua vez, demasiados longos, retirados de livros especializados sobre determinados momentos históricos. Tudo para a melhor aprendizagem.

Enquanto isso, durante as aulas de geografia, recebíamos textos curtos, porém de uma complexidade tão grande, que era difícil chegar ao final de uma pergunta e conseguir se lembrar o que deu a início a ela (se foi “qual”, “quando”, “quem” ou “o que”), dado a extensão da mesma. Me encantei por tais construções gramaticais; era como se nunca tivesse antes lido alguma que merecesse ser lido. Porém, ao mesmo tempo que esse desejo de ser prolixo crescia em mim, surgia também um ódio para com esses mesmos textos. Freud explica: sua leitura me irritava, e queria mostrar que este artifício era apenas uma ferramenta de esconder por debvaixo de muitos véus o fato de que o escritor nada sabia ou tentava discursar sobre um assunto do qual ele não possuía o mínimo conhecimento.

Pois bem, comecei a exercitar esse meu lado prolixo de forma tímido em trabalhos escolares, principalmente os de geografia, quando surgia algum Milton Santos ou algo que o valha (quem leu sabe do que estou falando). Ele é muito bom, com um raciocínio lógico impecável, mas rebusca demais suas passagens.

Conversa vai, conversa vem, chegou a tão esperada semana de provas. Alguns assuntos não conseguiram ser de todo revisados, especialmente as propagandas maniqueístas que eram divulgadas pela Europa para incitar a população a se alistar contra o inimigo, que era sempre retratado como um demônio ou um bárbaro (mas não passavam todos de farinha do mesmo saco – esse ponto é muito bem explorado na cena final de Glória feita de sangue). Eis que, estando um pouco nervoso, encontrei mas instruções da prova, logo abaixo do item que falava sobre a utilização de canetas azuis ou pretas, a palavra de minha salvação, aquela que daria finalmente uma forma a tudo isso que eu gostaria de treinar para poder destruir, a Prolixidade.

Foi algo mais do que natural quando minha caneta tocou as linhas destinadas a`resposta da terceira pergunta e de lá elas foram ocupadas por frases e mais frases que tentavem ocultar o fato de que nada saíria de útil de minha parte sobre aquele assunto naquele momento. Foi mágico; um momento inesquecível.

Saí de lá sabendo o que era necessário fazer (além de estudar mais). O mesmo se repetiu na prova de geografia, mas desta vez foi algo inconsciente, pois sabia todo o assunto da prova, mas tomei gosto naquele tipo de escrita. Acabei utilizando por volta de 20 linhas extras nas questões. Foi lindo.

Daí pra frente foi uma relação de protocooperação beirando a simbiose. Eu e a prolixidade estávamos nos tornando um, e, ao mesmo tempo, nos afastando por causa de meus objetivos. Escrevia longuíssimos textos e trabalhos, buscando tornar cada frase o mais bonita e longa possível, mas sem nunca desviar do assunto, que era sempre mantido claro.

O tempo foi passando. As aulas de Cláudio eram sempre muito bem aproveitadas, mesmo ele sendo contra o meu exercício prolixo semanal. Comecei a notar que o ano se findava já, e, como não tinha planos de adentrar em uma universidade tão cedo nem me matricular em nenhum cursinho, ficaria muito tempo sem treinar minha prolixidade.

Inconscientemente buscava meios de achar um substituto para as redações e provas, que teriam um fim abrupto no final de novembro. Eis que fiquei sabendo que meu colega Pit possuía um blog nesses domínios wordpressianos, assim como o coordenador do colégio. Em uma conversa com o primeiro (após já ter visitado sua página), descobri que esse poderia ser um meio de expressar e treinar essa prolixidade latente que se remexia num rebuliço interminável dentro de meu ser.

Um blog, era disso que eu precisava. Superei o receio de expor minhas idéias a um público desconhecido e criei esta página, que dentro de alguns dias completará um ano. A página foi criada e, timidamente, post sucedeu post, sendo que o que mais me orgulho ainda é este. Ainda não entendi o por que, mas ele é o mais visitado na frente de todos os outros. Gosto de pensar que é pelo que eu escrevi, mas acho que é mesmo por causa da imagem de cabeçalho.

Eis que aqui está, essa minha página, na qual gosto de treinar minha prolixidade e ainda tentar escrever outras coisas que julgo úteis a outros.

Não se enganem os leigos: exalto a prolixidade como uma forma de arte pessoal de cada um, mas quero-a longe de textos científicos e/ou sérios! É legal ser prolixo como brincadeira, como sátira, não seriamente.

Essa citação de Oscar Wilde aí em cima revela em parte a essência desse blog. Um espaço público de longas conversas comigo mesmo e, às vezes, outros.

Monólogo do estudante.

•Outubro 6, 2009 • 3 Comentários

“Fui tocado por uma musa inspiradora enquanto caminhava nessa tarde. Senti que brotava em mim a resposta a tudo que um dia quis expressar. Estava lá, na minha frente, do jeito que eu achava perfeito, mas nunca tinha conseguido imaginar.
“Ah, devaneios juvenis! Como eu os adoro! Mesmo sendo apenas desilusão.
“Pena que ela só me trouxe a inspiração, e não as hábeis mãos para tal criação.

“Não me incomodaria se não ocorresse todo santo dia.”

The Cat Piano

•Setembro 24, 2009 • Deixe um comentário

Me deparei hoje com esse curta muito bonito que é uma animação feita a partir de um poema chamado The Cat Piano. Achei-o realmente muito bom, por isso o disponibilizo abaixo:

Vi no site oficial: http://catpianofilm.com/

Lá encontra-se o poema também para uma melhor compreensão do filme.

Exercício de prolixidade.

•Setembro 22, 2009 • Deixe um comentário
Ou mais um post inútil

Frase original: Eu, que sou assim, não sei dizer pra que lado vou.

Frase prolixa: Eu, minha pessoa, este que por aqui vos fala, que sou exatamente, e sem nenhuma alteração, desta forma que assim me manifesto, não consigo, simplesmente por meio de palavras, frases, metáforas e figuras de linguagem, dar-lhes a resposta, contar-lhes, ou seja, dizer a vocês que me escutam, qual a direção que sigo.

Frase original: Olá, bom dia, tudo bem?

Frase prolixa: Olá, mas que belo dia este, não? Ah, sinta só a vida acordando novamente depois de um longo sono noturno, se contrapondo aos que agora vão dormir depois de passar uma noite inteira acordados e em estado de vigilância! Desejo-te, como forma de mostrar meu afeto a sua pessoa, um dia muito agradável, ou seja, espero que possa aproveitar o hoje de forma alegre. Como encontra-se você posicionado nesse espaço de tempo diurno? As coisas caminham de forma aprazível para sua pessoa?

Por isso que eu amo os biólogos

•Setembro 22, 2009 • Deixe um comentário

“Por isso que eu amo os biólogos, ou como a dedução ainda é uma ótima arte, ou peça em um único ato inspirado no Fantástico desse domingo.”

Dramatis personae:

Anderson – Um biólogo

População – Internautas e repórteres sensacionalistas.

Ato único – Cena única

(Numa sala encontra-se a População gritando e brandindo fotos do “ET do Panamá”)

POPULAÇÃO: É um extraterrestre! Não! É uma nova espécie! Não! É um ser e tempos remotos! É o demônio!

(Entra Anderson observando as mesmas fotos)

ANDERSON: Não, não é um “ET”.

POP: (virando-se para esse novo personagem) Mas é claro que é! Olhe esses membros, esse corpo! Não pode ser outra coisa!

AND: É um mamífero, com certeza. Porque nós temos as tetas aqui. Todo o membro anterior muito longo e com vários ângulos, denotando, realmente, uma preguiça. Com essas características, somente dois, tamanduás ou preguiças, nas Américas. Eu diria que é uma preguiça, caso não seja uma montagem. Possui só dois dedos, então é uma preguiça real.

POP: Mas que ultraje! E como você explica essa grande barriga?

AND: É a produção de gases, devido à decomposição por bactérias, que causa um inchaço geral do corpo.

POP: Certo, e esse corpo sem pelos? Uma preguiça tem pelos, não tem?

AND: Sim, tem pelos. Mas isso é um cadáver, está em decomposição, os pelos já se foram.

POP: (hesitando) E…e a língua inchada? Hum?

AND: Decomposição. Falta de oxigenação. Arroxeamento da língua, óbito. Nós podemos perceber também que já há uma papada de decomposição. Percebam, é somente um cadáver de uma preguiça em decomposição, está loge de ser um ET. Essa história de que ele saiu de uma gruta e subiu na perna de um panamenho era pura mentira. Ou vocês acham que aquela história da briga com o chupa-cabra era verdade? Vamos um dia, quem sabe, estabelecer um contato, pois não estamos sozinhos no universo, mas não foi dessa vez.

(Sai a População com cara de tacho por um lado e Anderson pelo outro).

Fim da cena.

Dadaísmo informacional

•Setembro 17, 2009 • 3 Comentários

Post

Ceci n’est pas un post

Quando a criatividade não vem.

•Setembro 8, 2009 • Deixe um comentário

Leia um livro, vai te fazer bem.
Estou falando sério.

Enquanto isso, gostei muito dessa tirinha da grande Mafalda:

Prolixidade é um dom para poucos.

Prolixidade é um dom para poucos.