Biscoitinho chinês

•Dezembro 12, 2009 • Deixe um comentário

“Tente imaginar o Nada. Difícil, não? Quase impossível à mente humana (se não for impossível). Os que acham fácil geralmente não percebem que estão pensando em Algo. Seus números da sorte são: 4 7 14 23 45 68.”

“Se o Universo se originou do Big Bang, o que veio antes dele? O Universo tende a se expandir infinitamente? Será que se mantém em um constante estado de expansão e retração, renovando-se a cada nova vez? Pense nisso enquanto joga com os números: 5 19 23 35 67 88″

“Cada geração teme um apocalipse enquanto ainda estão vivos. Já foi a ameaça nuclear, as previsões de Nostradamus e agora o fim do calendário maia em 2012. Porém, se há uma nova geração, isso quer dizer que o mundo ainda não findou-se.”

“Quantos biscoitinhos chineses alguém pode abrir egoísticamente até encontrar uma sorte que goste e espere que concretize-se? Números da sorte: 2 9 10 45 76 85″

Parnasianismo

•Dezembro 9, 2009 • 1 Comentário

Um professor uma vez recitou esse classe poema em sala de aula. Não sei de quem é (ele também não o sabia), se é algum dito popular obscuro, mas é bom, muito bom mesmo:

Soneto de Bilac

Sou neto de Bilac.

Olá, vô Bilac.

(tum dum tiss)

Não sei o que é isso,

•Dezembro 8, 2009 • 2 Comentários

não faço a menor ideia da razão pela qual escrevi-o e estou publicando-o, mas saiu assim:

.

“Estou somente cansado, precisava de um tempo para parar; e foi aí que vi o problema. Depois de tanto tempo  nessa corrida intensiva, sem parar um segundo para ver o mundo que nos rodeava, para descansar, para respirar, o corpo começava a implorar para que, pelos menos, o ritmo diminuísse um pouco. A fadiga era grande, mas estava mascarada, e só agora dá as caras, se vingando de todo o tempo que não pode dar as caras.

Parei, descansei um pouco, talvez tenha sido por tempo demais, pois quando abri de novo os olhos, você estava tão longe, que julguei que não te alcançaria mais. Voltei a correr, não mais ao seu lado, mas atrás de você, foi difícil, mas cheguei a segurar sua mão mais uma vez.

Dizem que o tempo não para. Estão errados, o tempo para sim; parou toda vez que eu quis ficar olhando os teus olhos, segurando tua mão ou só do teu lado. O amor é que não para. Este seguiu correndo quando fiz aquela pausa, e agora parece que está muito mais longe do que nós.

Me perdoe, precisava descansar um pouco.

…………………………………………………………………………………………………………………………………………

Conseguimos alcançar o amor de novo e mantê-lo conosco para que durasse mais, mas deixamos escapar a paixão. Não tínhamos mesmo como retê-la ao nosso lado por muito tempo. Ela é fugaz (muito mais que o amor), e avassaladora (perdoe-me o vocabulário, mas é). Foi graças a ela que conseguimos o amor, lembra?

Ah, agora só temos que aproveitar. O amor um dia vai perecer (nada nesse mundo é imortal), temos que nos conformar com isso, mas, para não nos arrependermos depois, vamos fazer com que ele seja, como diz Vinícius, infinito enquanto dure.

…………………………………………………………………………………………………………………………………………

O sol se pondo já não é mais tão romântico de se observar sozinho, o céu só é azul e confortável quando há razão para isso, não mais a todo momento que estamos juntos. Deixamos de viver naquele mundo utópico da paixão para nos amarmos na Realidade. E eu estou feliz com isso.

Mas deixou saudades, não?”

Soneto CXXX.

•Dezembro 8, 2009 • Deixe um comentário

Abaixo os românticos incuráveis!

Shakespeare's Sonnets

Sonnet CXXX

My mistress’ eyes are nothing like the sun;
Coral is far more red than her lips’ red;
If snow be white, why then her breasts are dun;
If hairs be wires, black wires grow on her head.
I have seen roses damask’d, red and white,
But no such roses see I in her cheeks;
And in some perfumes is there more delight
Than in the breath that from my mistress reeks.
I love to hear her speak, yet well I know
That music hath a far more pleasing sound;
I grant I never saw a goddess go;
My mistress, when she walks, treads on the ground:
And yet, by heaven, I think my love as rare
As any she belied with false compare.

– SHAKESPEARE, William

Solilóquio Hamletiano

•Dezembro 7, 2009 • Deixe um comentário

Encontrei esse vídeo por mero acaso e, quem diria, Vila Sésamo (com Patrick Stewart) também é cultura.

Convenhamos, é engraçado.

“Conselhos de um homem de meia-idade que aprendeu com a vida que viveu.”

•Dezembro 6, 2009 • 2 Comentários

“Sabe quando dá aquela vontade de gritar ‘vai tomar no cu!’ pra alguém? Pois é, resista a ela quando estiver em um casamento.”

Questão 54

•Novembro 27, 2009 • 1 Comentário

Nautilus

Vem aquela insegurança, aquela dúvida que parece ser eterna. Você não sabe o resultado (ninguém sabe, mas parece ser só você), não sabe se vai continuar esse confronto ou se vai fechar tudo, tirar umas férias e voltar só no ano que vem. Você continua a treinar, como se nada tivesse acontecido, mas mesmo assim fica aquela questão: “Será que tudo isso foi suficiente? Ou não? Vou ser eu o único a ficar para trás?’ É impossível não ter essa dúvida.

Para aliviar a tensão, o corpo transforma essa insegurança em raiva (quando não em tristeza). Começa aí aquele “vai tomar no cu, porra! Filho de uma puta! Olha, vai se foder caralho! Do que te importa, seu merda?” para o amigo, para a namorada, o familiar, cachorro, caderno. Aqueles palavrões, aquele stress de um ano todo dedicado a uma única coisa que começa a vazar da forma errada. Seria bom se ele saísse naquele momento de alegria, quando se atinge o que visado, mas ele já está sendo empurrado para fora por essa incerteza.

É difícil resistir à idéia de desistir. Todas aquelas mensagens de incentivo que você ouviu o ano inteiro e que te faziam sorrir por dentro agora parecem meras letras organizadas, sem efeito algum, senão o sonoro. Foi feito o que era possível no momento. E foi até bastante, julgando o stress e cansaço daquela maratona. Foda-se o outro, ele nada tem a ver com você e sua vida.

Não há mais o que se fazer, se não confiar e esperar. Ponto.

Vive la poésie!

•Novembro 24, 2009 • Deixe um comentário

Ne me quitte pas…

- Jacque Brel

Eu só espero que meus antigos professores de francês não vejam isso, pois, como parei de praticar a língua há alguns meses, erros podem ter ocorrido.

La poétique du cabaret

.

Nous sommes tout seul

Dans cette table, dans cet bar;

L’homme chubby regarda le ciel

Avec un rêveur.

.

Il, qui plante les fleurs prolixes,

Est en face de moi.

Les cigarretes brûlent, brûlent,

Et se defaire sur le cendrier

.

Pendant qu’il parle sur la beauté de chanterpleurer:

“C’est magnifique, je pense, la capacité

De chanter avec le face mouillé,

Mais avec une voix claire.”

.

J’étais sur le point de m’élever

Et partir san payer l’addition

Quand il a commencé a parler

De la Poésie.

.

Je suis resté, regandant l’hômme,

Qui, bien inutile pour la plupart des choses,

Avait une raison cristaline à ce sujet:

“La vrai beauté de La poésie

(dit-il entre les joues roses)

Est sur la liberté de création!

.

‘A bas les puristes!’

Vive le vers blanc puissant!

Sans rime, sans compteur, sans rigueur formelle;

Solement avec l’éssence de la mélodie!”

Aos que não sabem, fica aqui um claro exemplo do que é o chanterpleurer (cantar chorando):

Nota: Os pontos entre as estrofes são apenas para conter a fúria do wordpress contra a estrutura poética.

Poesia lusitana

•Novembro 18, 2009 • 1 Comentário

Quantas vezes, Amor, me tens ferido?

– Bocage

Quantas vezes, Amor, me tens ferido?
Quantas vezes, Razão, me tens curado?
Quão fácil de um estado a outro estado
O mortal sem querer é conduzido!

Tal, que em grau venerando, alto e luzido,
Como que até regia a mão do fado,
Onde o Sol, bem de todos, lhe é vedado,
Depois com ferros vis se vê cingido:

Para que o nosso orgulho as asas corte,
Que variedade inclui esta medida,
Este intervalo da existência à morte!

Travam-se gosto, e dor; sossego e lida;
É lei da natureza, é lei da sorte,
Que seja o mal e o bem matiz da vida.

Deus

– Fernando Pessoa

Às vezes sou o Deus que trago em mim
E então eu sou o Deus e o crente e a prece
E a imagem de marfim
Em que esse deus se esquece.

Às vezes não sou mais do que um ateu
Desse deus meu que eu sou quando me exalto.
Olho em mim todo um céu
E é um mero oco céu alto.

Isto

– Fernando Pessoa

Dizem que finjo ou minto
Tudo que escrevo. Não.
Eu simplesmente sinto
Com a imaginação.
Não uso o coração.

Tudo o que sonho ou passo,
O que me falha ou finda,
É como que um terraço
Sobre outra coisa ainda.
Essa coisa é que é linda.

Por isso escrevo em meio
Do que não está de pé,
Livre do meu enleio,
Sério do que não é.
Sentir? Sinta quem lê!

Ao desconcerto do mundo

– Camões

Os bons vi sempre passar
No Mundo graves tormentos
E pera mais me espantar,
Os maus vi sempre nadar
Em mar de contentamentos.
Cuidando alcançar assim
O bem tão mal ordenado,
Fui mau, mas fui castigado.
Assim que, só pera mim,
Anda o Mundo concertado.

Ser poeta

– Florbela Espanca

Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Áquem e de Além Dor!

É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!

É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim…
É condensar o mundo num só grito!

E é amar-te, assim, perdidamente…
É seres alma, e sangue, e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!

Oh! que saudades eu sinto dos tempos de monografia!

•Novembro 1, 2009 • 5 Comentários

“Sinto saudades de escrever uma monografia. Saudades de ler de tudo e mais um pouco, selecionar o que me interessa, o que é útil, aprender coisas novas, ligar fatos, criar sentenças e formar minha própria opinião sobre determinado assunto. Depois de tudo isso, ainda poder escrever, escrever e escrever: criar capítulos, divisões, títulos, e, o mais legal de tudo, colocar notas de rodapé!

“Ah, como eu amo essas notas de rodapé! Sempre se parecem com uma pílula milagrosa para aquela sentença que nem mesmo o autor conseguiu entender. Ledo engano! Adoro ainda mais quando se tem três parágrafos em uma só nota, aí sim há um desafio ao leitor. Como é divertido imaginá-los permeando por aqueles labirintos de complexidade criados com o mero intuito de mascarar uma falta dessa mesma complexidade.

“Mas não é por isso que sinto saudades duma monografia, mas sim pelo fato de que é um trabalho que demanda muito de mim, que me envolve com as palavra que eu mesmo organizo e que tira da minha carne a tinta necesária para a impressão. Escrever não como uma obrigação de algum curso, mas escrever egoísticamente, apenas para registrar o pensamento. Quando está pronta, o que vejo não é um amontoado de papéis numerados, escritos e unidos por ataduras, com uma capa de apresentação que mostra o título escolhido, mas sim um retrato perfeito de uma pequena parte de meu pensamento, sem nenhuma idealização, com todas as opiniões lá mostradas em seus mais pequenos detalhes, assim como todas as suas imperfeições e suas marcas de idade.

“O mais perfeito retrato de corpo inteiro viria não de uma sessão de várias horas com um pintor, mas de diversas monografias do mesmo autor unidas, cada uma com um tema e uma opinião diferentes, que se permeam, citam-se, e mostram não a casca exterior, que pode ser mascarada por maquiagens e, nos tempos mais modernos, por  cirurgias plásticas e implantes, mas mostram, sim, toda a massa interior, pulsante, cinzenta, vermelha, negra, amarela, de todas as cores, que é a verdadeira face a ser mostrada.

“Compor esse retrato demanda anos, e, muitas vezes, vem postumamente, quando se encontra num cofre secreto na sala de jantar alguns manuscritos que dão as últimas pinceladas na parte mais importante do quadro: os olhos.

“Hei de expor essa face minha ao mundo! Mas, ah, como haverão notas de rodapé!”