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	<title>Prolixidade</title>
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	<description>&#34;Le secret pour être ennuyeux, c&#039;est de tout dire&#34; - Voltaire.</description>
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		<title>Prolixidade</title>
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		<title>Ho! Ho! Ho!</title>
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		<pubDate>Sat, 24 Dec 2011 05:06:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ivan</dc:creator>
				<category><![CDATA[Contos do Cardoso]]></category>
		<category><![CDATA[Crônica]]></category>
		<category><![CDATA[Natal]]></category>

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		<description><![CDATA[Chega o final de dezembro e voltamos àquela mesma rotina de todo ano: desenterrar os enfeites natalinos das caixas, montar a árvore, batalhar contra os nós das luzes piscantes e esperar em filas e mais filas para ver o 13º esvair-se como se tentássemos segurar água com as mãos. Temos que correr atrás do peru [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=prolixoemdemasia.wordpress.com&amp;blog=5332273&amp;post=1443&amp;subd=prolixoemdemasia&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:left;">Chega o final de dezembro e voltamos àquela mesma rotina de todo ano: desenterrar os enfeites natalinos das caixas, montar a árvore, batalhar contra os nós das luzes piscantes e esperar em filas e mais filas para ver o 13º esvair-se como se tentássemos segurar água com as mãos. Temos que correr atrás do peru para saciar a família inteira, os quitutes típicos e arrumar a casa. De vez em quando andamos calmamente com o caçula nos ombros para ver as luzes na Paulista e somos inundados pela nostalgia dos tempos em que o Papai Noel era mais real do que o final do calendário Maia ou o aumento do salário da Câmara, nostalgia essa que os mais lúdicos rotulam de &#8220;espírito natalino&#8221;.</p>
<p style="text-align:left;">Tudo isso é muito bom e agradável até que, chegando mais perto da data, conversando com uns amigos em algum bar da Vila Madalena, nos dividimos em dois grupos muito mais conflitantes do que os típicos &#8220;de direita&#8221; e &#8220;de esquerda&#8221;, muito mais sérios do que &#8220;corinthianos&#8221; e &#8220;palmeirenses&#8221;, muito mais violentos do que &#8220;mal passado&#8221; ou &#8220;no ponto&#8221;: são os grupos natalinos. De um lado ficam os do &#8220;dia 24&#8243;, do outro, os do &#8220;dia 25&#8243;.</p>
<p style="text-align:left;">O pessoal do &#8220;dia 24&#8243;, como o nome já indica, comemora o Natal na noite do dia 24: vira a noite comemorando, trocando e abrindo presentes, e, como já é tarde da noite, ninguém se segura na bebida. Para as crianças desse grupo, o Papai Noel é conhecido por atacar exatamente à meia noite, e elas se sentem privilegiadas por serem, aparentemente, as primeira beneficiadas pelo Bom Velhinho. O pessoal do &#8220;dia 25&#8243; já é mais conservador, se inspirando nos seriados norte-americanos dos anos 60: dormem cedo no dia 24 depois de uma ceia mais ou menos, as crianças acordam por volta das 6 da matina (para a desgraça dos pais) para descobrir que foram visitadas pelo mesmo velhinho enquanto dormiam. A grande ceia que o pessoal do &#8220;dia 24&#8243; faz no dia 24 é feita no dia 25 por esse grupo rival, mas como é feita cedo, todos pegam leve na bebida.</p>
<p style="text-align:left;">Para o pessoal do &#8220;dia 24&#8243;, o dia 25 nada mais é do que dia de curtir os presentes e ficar de molho em casa, petiscando nas sobras da ceia. Já para o pessoal do &#8220;dia 25&#8243;, o dia 24 é sem graça, cotidiano, com a única diferença de comerem peru e tomarem vinho com toquinhas de Papai Noel.</p>
<p style="text-align:left;">Eu, particularmente, me alistei desde pequeno nas fileiras do &#8220;dia 24&#8243; (mais por influência familiar do que por opção), e me senti identificado com esse estilo de vida. Não só é uma grande festa familiar que vira a noite, mas o Papai Noel se torna uma figura muito mais misteriosa e poderosa. Afinal, quando bate a meia noite, a criança se vira de costas para a árvore por um minuto e, logo depois, encontra-a recheada de presentes. Só um mágico dos bons consegue fazer uma mágica dessas! E sem deixar vestígios! Enquanto isso, o Papai Noel do &#8220;dia 25&#8243; é um velhinho sorrateiro que entra na surdina, deixa os presentes e vai embora, tomando o tempo que for. Imagina só que horror? Você nem percebeu ele entrando na sua casa! E se deixar presentes não foi a única coisa que ele fez? Eu não conseguiria dormir tranquilamente até checar todas as gavetas, todos os armários e contar cada moeda no meu cofre!</p>
<p style="text-align:left;">Pois é, os dois grupos se atritam de forma agressiva quando, no dia 24 ou no dia 25 perguntam o quais são os planos para a noite. Cada um fala com orgulho o que vai fazer, infla o peito e até desdobraria uma bandeira se tivesse uma, enquanto observa o olhar de desprezo do rival. Porém, os dois pensam a mesma coisa um do outro: que babaca. Se não fosse o garçom chegando com a rodada por conta da casa para comemorar o Natal, o confronto físico seria inevitável.</p>
<p style="text-align:left;">Enfim, todos vão para a casa ainda no clima de tensão, cada um comemorar o Natal da sua devida maneira, os do &#8220;dia 24&#8243; no dia 24 e os do &#8220;dia 25&#8243; no dia 25. Passadas as festividades, o grupo se reúne novamente no mesmo bar da Vila Madalena e comenta sobre a reação das crianças ao descobrirem os presentes: &#8220;O Júnior vibrou no carrinho de controle remoto!&#8221; &#8220;E a Juju com a nova Barbie?&#8221;. E assim todos caem na gargalhada até que o assunto cai no Réveillon. O pessoal &#8220;da praia&#8221; saca as armas, enquanto que o pessoal &#8220;do interior&#8221; já parte pra briga. É uma maravilha como essa época nos une!</p>
<br />Filed under: <a href='http://prolixoemdemasia.wordpress.com/category/escritos/devaneios/contos-do-cardoso/'>Contos do Cardoso</a> Tagged: <a href='http://prolixoemdemasia.wordpress.com/tag/cronica/'>Crônica</a>, <a href='http://prolixoemdemasia.wordpress.com/tag/natal/'>Natal</a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/prolixoemdemasia.wordpress.com/1443/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/prolixoemdemasia.wordpress.com/1443/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/prolixoemdemasia.wordpress.com/1443/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/prolixoemdemasia.wordpress.com/1443/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/prolixoemdemasia.wordpress.com/1443/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/prolixoemdemasia.wordpress.com/1443/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/prolixoemdemasia.wordpress.com/1443/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/prolixoemdemasia.wordpress.com/1443/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/prolixoemdemasia.wordpress.com/1443/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/prolixoemdemasia.wordpress.com/1443/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/prolixoemdemasia.wordpress.com/1443/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/prolixoemdemasia.wordpress.com/1443/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/prolixoemdemasia.wordpress.com/1443/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/prolixoemdemasia.wordpress.com/1443/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=prolixoemdemasia.wordpress.com&amp;blog=5332273&amp;post=1443&amp;subd=prolixoemdemasia&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Com fritas, por favor!</title>
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		<pubDate>Wed, 23 Nov 2011 01:34:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ivan</dc:creator>
				<category><![CDATA[Devaneios]]></category>
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			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter" src="http://prolixoemdemasia.files.wordpress.com/2011/11/19753821_ebc1a2ee7a.jpg?w=300" alt="" /></p>
<p>No dia 7 de setembro de 97, Henrique Solano apagava seu cigarro no cinzeiro de uma bodega do Rio. Tal ato, mal sabia ele, seria o necessário para despertar uma nova revolução na história da humanidade comparável apenas à Queda da Bastilha, não tivesse ele o feito com tanto desprezo. Algumas mesas distante, Marcel Oliva escrevia uma dolorosa e penetrante declaração de amor para sua paixão platônica de verão: Vera, a caminhoneira mais bonita de toda a BR 116, que o vencera numa queda de braço no balcão do Frango Assado. Fora amor à primeira vista, quando, com o rádio e a ulna quase quebrados, ele viu, ao som das gargalhadas alheias, aqueles robustos lábios da semi-deusa engolirem às goladas uma garrafa quase inteira de cerveja. Após cinco meses perseguindo-a pelas estradas, finalmente tomara coragem para declarar-se, mas como era um covarde irrecuperável, resolveu fazê-lo por escrito. Assim começava a carta: &#8220;Agora você cale a boca e me escute&#8230;&#8221; Ao terminar a declaração, ele correria até o carro e a encontraria exatamente no kilômetro 42 da bendita estrada, segundo as suas contas e entregaria-a em mãos na primeira parada que ela fizesse. Três meses mais tarde, ele estará novamente na mesma mesa, bebendo e  chorando com uma ordem de restrição no bolso.</p>
<p>No balcão, Geraldo Sardova -o Geraldão- pede uma média bem escura com um pão na chapa, para saborear melhor o jornal. Quando abre o caderno de economia, olha a hora no relógio e exclama: &#8220;Meu deus, estou atrasado para o trabalho!&#8221;, mas depois de pensar um pouco, deu de ombros e voltou a ler as notícias: &#8220;Eu perdi ele ontem, mesmo.&#8221; Sua linha de pensamento continuaria por sinuosos meandros sobre a atual crise financeira do setor de envelopes sem cola que lhe afetara tão fortemente e, inspirado pelo modo do garçom atender mais de um cliente por vez (e conseguir carregar 5 pratos quentes, 2 copos de chopp, duas contas e 3 porções de bolinho de bacalhau sem derrubar um átomo sequer no chão), resolveria a situação, tornando-se o mais novo bem sucedido empresário brasileiro. Como podemos ver hoje em dia, isso não aconteceu, pois essa referida linha de pensamento foi bruscamente interrompida pelo estardalhaço que o bar inteiro fez no momento que o Fluminense fez um 2&#215;1 em cima do Cruzeiro.</p>
<p>Foi uma barulheira geral. Todos comemoravam numa alegria somente vista quando o Brasil ganhou a Copa em 94. Estranhos se abraçavam, alguns derrubavam suas bebidas ao levantar muito rápido para erguer os braços aos ares e comemorar. Os gritos podiam ser ouvidos do outro quarteirão, pois além desse ponto já eram abafados pelos rojões soltados das janelas do prédio de apartamentos número 1924. Porém, em meio a essa festa, a esse entusiasmado júbilo, Otto Matraquino comemorava, pulava e abraçava estranhos, pois acabara de descobrir que seu nome era um palíndromo.</p>
<p>Quando a calma retornou aos abalados corações e as atenções voltaram-se aos 15 minutos finais da partida ou às conversas no âmbito das mesas, Júlio Arantes desabotoava suas calças para aguentar mais uma rodada de torresmo e uma boa dose de Poesia, sua cachaça predileta. Seu comparsa, Hector Beato (esse, sim, poeta) palitava os dentes embaralhando as cartas para mais uma rodada. Em sua mente, porém, pensava, à guisa do Grande Poetinha, em um ou dois versos bem compostos para Maria Petrarca, a morena que agora passava rebolando suas ancas pelo calçadão em sua saia levinha, arrastando os pés naquelas rasteirinhas douradas e sentava com as pernas cruzadas no banquinho na orla, em frente ao bar. Pensava ela porque aquele poeta bonitão que ela vê todo dia naquela mesa não vem ali mexer com ela, dizer quatro ou cinco palavrinhas em seu ouvido para ela recusar, ele insistir e, depois de uma meia hora naquele joguinho ela ceder, fingindo que não está cedendo. Mal sabiam eles que isso iria acontecer dali três dias e se transformaria numa bela história de amor, que terminaria em adultério, divórcio, vingança e cadeia para algum dos dois. Qual deles, eu ainda não sei, mas, por enquanto, Hector Beato só virou para o lado e pediu um filé de alcatra ao ponto. Com fritas, por favor!</p>
<br />Filed under: <a href='http://prolixoemdemasia.wordpress.com/category/escritos/devaneios/'>Devaneios</a> Tagged: <a href='http://prolixoemdemasia.wordpress.com/tag/bar/'>Bar</a>, <a href='http://prolixoemdemasia.wordpress.com/tag/cotidiano/'>Cotidiano</a>, <a href='http://prolixoemdemasia.wordpress.com/tag/cultura-do-boteco/'>Cultura do Boteco</a>, <a href='http://prolixoemdemasia.wordpress.com/tag/maminha/'>Maminha</a>, <a href='http://prolixoemdemasia.wordpress.com/tag/personagens/'>Personagens</a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/prolixoemdemasia.wordpress.com/1339/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/prolixoemdemasia.wordpress.com/1339/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/prolixoemdemasia.wordpress.com/1339/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/prolixoemdemasia.wordpress.com/1339/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/prolixoemdemasia.wordpress.com/1339/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/prolixoemdemasia.wordpress.com/1339/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/prolixoemdemasia.wordpress.com/1339/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/prolixoemdemasia.wordpress.com/1339/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/prolixoemdemasia.wordpress.com/1339/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/prolixoemdemasia.wordpress.com/1339/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/prolixoemdemasia.wordpress.com/1339/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/prolixoemdemasia.wordpress.com/1339/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/prolixoemdemasia.wordpress.com/1339/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/prolixoemdemasia.wordpress.com/1339/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=prolixoemdemasia.wordpress.com&amp;blog=5332273&amp;post=1339&amp;subd=prolixoemdemasia&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Bactérias: A Beleza do Simples</title>
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		<pubDate>Sun, 16 Oct 2011 23:34:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ivan</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ciencia]]></category>
		<category><![CDATA[Bactérias]]></category>
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		<description><![CDATA[Bactérias, geralmente vistas como os seres mais basais de todos, guardam maravilhas mais interessantes do que pode imaginar o simples homem. Pequenas, simples, formadas de apenas uma célula, elas inspiram pouco interesse popular, diferente da intricácia e complexidade dos mamíferos. Mas vistas sob o ângulo correto, deitariam por terra qualquer beleza de um organismo pluricelular. A [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=prolixoemdemasia.wordpress.com&amp;blog=5332273&amp;post=1347&amp;subd=prolixoemdemasia&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">Bactérias, geralmente vistas como os seres mais basais de todos, guardam maravilhas mais interessantes do que pode imaginar o simples homem. Pequenas, simples, formadas de apenas uma célula, elas inspiram pouco interesse popular, diferente da intricácia e complexidade dos mamíferos. Mas vistas sob o ângulo correto, deitariam por terra qualquer beleza de um organismo pluricelular.</p>
<p style="text-align:justify;">A começar pelo simples fato de terem sido as primeiras formas de vida existentes no planeta e continuarem vivas até hoje, apesar de todos os ambientes do globo já terem sofrido mudanças extremamente drásticas. Muito mais do que isso, são a forma de vida mais abundante em todo o mundo. Elas possuem uma capacidade de adaptação e transformação gênica impressionante, podendo adaptar-se rapidamente a novos ambientes, adquirir resistência a antibióticos e muito mais para continuarem sobrevivendo. Podem fazer isso pelo fato de conseguirem incorporar segmentos de DNA exógeno que encontram no meio ou que recebem por vírus ou outras bactérias, por processos chamados transformação, transdução e conjugação, repectivamente. Graças a essa capacidade, bactérias patogênicas conseguem torrar a paciência de médicos e profissionais da saúde, especialmente em hospitais, mostrando-se como um grande oponente à saúde humana.</p>
<p style="text-align:justify;">O ponto que quero chegar encontra-se em uma questão nunca plenamente respondida, apesar de várias crenças, religiões ou escolas filosóficas terem tentado encontrar uma resposta: por que morremos? Em geral essas respostas enobrecem a condição humana, e mostram a morte como algo intrínseco e inseparável à vida. Mas o impressionante é que, tomando a questão além da mente e da crença, indo até o primórdio biológico, a resposta é muito mais sombria do que nosso ego nos permite aceitar, e a morte não está necessariamente contida na idéia da vida. Tudo isso pode ser sucintamente explicado ao se olhar para as bactérias.</p>
<p style="text-align:justify;">Em todos os seres pluricelulares e complexos que podemos pensar do topo de nossas mentes em 5 segundos, existe, dentro do DNA de cada célula o fator da mortalidade. A resposta da grande pergunta está dentro de nós mesmos.  Todos eles (e nós também) são mortais, e um dia conhecerão seu fim, sendo as formas disso acontecer várias. Porém, o interessante é que eles <em>precisam</em>, um dia, morrer. Mesmo esquivando-se de todas as formas de bater as botas (falta de alimento, predação, doenças etc.), ainda assim um processo que desde o momento que passaram a existir vem atuando vai encontrá-los e levá-los a seu destino. Esse processo é a <em>senescência</em>, a morte por velhice, para os não familiarizados com o termo. Pense: temos um limite de tempo para passarmos neste mundo, e quando ele chega, não há nada mais. A única coisa que podemos fazer com ele é encurtá-lo. E é aí que as bactérias entram com o <em>tour de force</em>: elas não possuem esse limite. Elas são, potencialmente, imortais.</p>
<p style="text-align:justify;">Se retirarmos uma célula de algum tecido humano (uma célula que não tenha se diferenciado tanto a ponto de não se dividir mais) e colocarmos ela em cultura sempre com todas as condições que ela necessita para crescer, ela vai sobreviver e se dividir, formando o que chamaríamos de uma &#8220;colônia&#8221;. As primeiras divisões são rápidas e numerosas, porém, a partir de um certo número, esse ritmo decai exponencialmente, até que atinge um número muito baixo e termina por cessar completamente. As células que restaram vão, pouco tempo após as últimas divisões, entrar em processo de apoptose (i.e. uma morte celular programada), um suicídio celular, digamos assim, e morrer. Ou seja, mesmo com todas as condições ideais presentes e sendo mantidas, as células humanas morrem. Agora, se fizermos a mesma experiência com uma bactéria, ela não vai morrer nunca, dividindo-se <em>ad infinitum</em>. Elas não contém um programa, como as células humanas o tem, para cometerem suicídio após um determinado tempo, ou número de divisões. Ressaltando novamente, bactérias são, potencialmente, imortais. Digo potencialmente, pois essas condições ideais são quase impossíveis de serem mantidas na natureza, pois o ambiente sempre será dinâmico e alterações ocorrerão, bem como competição entre as &#8220;filhas&#8221; dessa primeira bactéria.</p>
<p style="text-align:justify;">Mas porque elas conseguem sobreviver eternamente enquanto nós não? A resposta para isso (ou pelo menos parte dela) está contida no modo como elas e nós nos reproduzimos. E reprodução é, basicamente, a missão de todo ser vivo neste planetinha. Nós, bem como todos os outros seres multicelulares presentes no globo, temos, basicamente, dois tipos de células em nosso corpo: as germinativas (responsáveis por todo o processo de reprodução sexuada, ou seja, são os espermatozóides nos machos e os óvulos nas fêmeas) e as somáticas (todo o resto, responsáveis pela composição, funiconamento e regulação do corpo). Com essa divisão, houve também uma divisão de tarefas: as células germinativas carregam sobre si o grande fardo de passar os genes do indivíduo para a próxima geração, pois são as únicas que dão origem a um novo ser, enquanto que para as células somáticas o único papel que lhes sobrou foi o de protegê-las. Dessa forma, pode ser triste para alguns pensar, mas as únicas células no nosso corpo que, de fato, nos são importantes, são espermatozóides e óvulos. O resto do corpo é descartável, uma vez que as células germinativas foram protegidas e contribuíram satisfatóriamente para a próxima geração. E é por isso que, resumidamente, morremos.</p>
<p style="text-align:justify;">Mas as bactérias são diferentes. Elas não apresentam essa divisão de tarefas e de células, pois, diferente de nós, elas são compostas por apenas uma célula. Ou seja, elas são, em si, somáticas e germinativas. Não é à toa que sua reprodução é assexuada, isso é, ocorre por uma simples duplicação de todo o material dentro da célula e posterior divisão em duas células idênticas em tudo. Portanto, quando a célula realiza seu papel &#8220;germinativo&#8221;, as novas células &#8220;somáticas&#8221; estão prontas para passar seu DNA para a próxima geração. Não faria sentido para uma bactéria morrer após um certo tempo determinado, pois sua vida começa novamente após sua reprodução, e o papel &#8220;germinativo&#8221; deve ser cumprido de novo, e de novo e de novo, até o infinito.</p>
<p style="text-align:justify;">Esse mesmo fenômeno visto em bactérias pode ser observado, também, em seres pluricelulares, na forma do câncer. Células cancerígenas não passam de células somáticas que perderam o controle sobre sua multiplicação e, impressionantemente, sobre seu suicídio celular. Elas, devido a muitas possíveis razões, retornaram ao estado de suas ancestrais bactérias, adquirindo o poder da imortalidade. Infelizmente, células imortais se multiplicando dentro de um corpo mortal não resulta em algo bom.</p>
<p style="text-align:justify;">Mas, voltando às bactérias, elas nos mostram quão bela e fascinante é a natureza. Apesar de determos nossa atenção em animais magníficos como um leão, ou em uma planta com uma flor que inspira poemas, como o maracujá, ou lírios, há sempre algo mais.  Apesar de toda a intricácia de cores que um ser multicelular pode produzir, até no mais simples, no que normalmente não tomaria nossa atenção, há uma beleza escondida. E essa beleza é incomparável.</p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#33cccc;">Para mais informações sobre o tema, recomendo o livro <em>Sexo e as origens da Morte</em>, de William R. Clark.</span></p>
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		<title>Miguel e Ana, uma história de amor</title>
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		<pubDate>Fri, 09 Sep 2011 15:48:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ivan</dc:creator>
				<category><![CDATA[Contos do Cardoso]]></category>
		<category><![CDATA[conto]]></category>
		<category><![CDATA[Conto improvável]]></category>
		<category><![CDATA[Fora de controle]]></category>

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		<description><![CDATA[Entediado, de fronte da tela sempre brilhante do computador, resolvi, inspirado pelos Imortais da literatura, pelos mestres da palavra escrita, pôr minhas faculdades para trabalhar num regime semi-escravo até produzir algo digno à apreciação na forma de conto melodramático para publicar no meu blog. O enredo era simples: Um jovem conhece, por acaso, uma jovem [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=prolixoemdemasia.wordpress.com&amp;blog=5332273&amp;post=1405&amp;subd=prolixoemdemasia&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:left;">Entediado, de fronte da tela sempre brilhante do computador, resolvi, inspirado pelos Imortais da literatura, pelos mestres da palavra escrita, pôr minhas faculdades para trabalhar num regime semi-escravo até produzir algo digno à apreciação na forma de conto melodramático para publicar no meu blog. O enredo era simples: Um jovem conhece, por acaso, uma jovem em um bar e tornam-se amigos; a narrativa passeia em alta velocidade por sua amizade, freiando quando os dois se apaixonam. Porém, a garota vem de família tradicional, que não aceita que sua filha se envolva com alguém que não siga sua religião, e o empasse entre os dois agrava-se. Nisso, surge outra paixão para o jovem na forma de uma curvilínea e descontraída colega de turma, a qual sofre de amores  por outro rapaz, seu ex. A partir disso, o grande conflito está estabelecido. Após algumas peripécias que eu confiei ao acaso criar em minha mente, o jovem ensina à jovem uma nova forma de viver, e os dois conseguem ficar juntos com a aprovação da família, enquanto a outra paixão é esquecida nos braços do outro rapaz. Simples, bobo e repleto de frases de efeito: tudo que uma audiência poderia procurar.</p>
<p style="text-align:left;">Coloquei-me a trabalhar, e já na página 5, Miguel, o protagonista, adentra no Bar Batana, onde pede fritas e um refresco. Ele espera pela chegada dos amigos, que estão atrasados, quando nota que Ana, a fatídica garota, está na mesa ao seu lado, lendo o mesmo livro que ele. Passamos, então, para as páginas 6 a 10, onde os dois tem uma daquelas conversas tão perfeitas que só encontramos na arte, até que os amigos de Miguel chegam, e ela logo vai embora para visitar uma tia doente. Até agora, tudo bem. Partimos então para a parte acelerada da narrativa, parando quando os dois estão no mirante, observando a cidade alaranjada pelo sol poente, as luzes acendendo uma a uma, à medida que a escuridão da noite começa a encobrir a vista. Os dois olham-se estáticos por minutos, seus rostos se aproximando, as mãos tocam (sua pele é tão macia) e, finalmente, os lábios são empurrados uma para o outro numa declaração de mais puro amor.</p>
<p style="text-align:left;">No próximo dia, ela o convida para um jantar, o qual, para sua surpresa, será acompanhado dos pais da garota. Pena que ele só descobre isso quando já está sentado à mesa. Pobre, pobre rapaz. De qualquer forma, não quero estragar as surpresas, mas a conversa entre os quatro não é nem um pouco amigável, cheias de lembranças da adolescência da garota, e de como a repressão dos pais marcou-a psicologicamente. Afinal, ela foge do local chorando, e ele vai atrás, deixando os pais para lidar com a conta quilométrica.</p>
<p style="text-align:left;">Estamos aqui na página 20, e é nesse ponto que as coisas começaram a complicar, não apenas na vida dos dois personagens, mas na narrativa em si. Para minha surpresa, depois que Miguel encontra Ana chorando em sua casa e a consola, ela declara o quanto odeia seus pais, acende um cigarro de maconha e apresenta doses de vodka, que os dois dividem romanticamente, antes de engajarem em uma longa noite de amor. Não era minha intenção colocar o evento na narrativa, mas esta era mais poderosa que meus poderes de autor.</p>
<p style="text-align:left;">Perdi um certo tempo tentando, inutilmente, consertar o que os dois tinham feito, mas, quando vi, a narrativa já tinha avançado algumas páginas quando eu não estava olhando. Agora o casal repetia as doses de vodka periodicamente. A família de Ana contratara o padre da paróquia para atormentar a vida dos dois. Miguel estava apaixonado por Helena, a sua colega de turma (que foi descrita de forma extremamente sensual na página 32, quando traiu Ana com ela). E, no presente momento, Miguel e Ana estão em um café, se recuperando da ressaca da noite seguinte, quando entra pela porta Helena, que se dirige à mesa do casal. A tensão está no ar, e o próximo passo foi imprevisível: Miguel descobre que Ana é a ex de Helena, por quem ela ainda guarda uma paixão, e Ana, por sua vez, sente saudades de Helena. Miguel está sobrando nessa história e, deseperado, joga-se nos braços de Helena, que retribui o ato em um longo e úmido beijo. Ana fica fula da vida com isso e joga-se, por sua vez, em cima de Helena com os punhos fechados e cheios de ódio. Miguel tenta separá-las quando entram, no mesmo café, os pais de Ana. Xingamentos são atirados para todos os lados, e todos são expulsos do café.</p>
<p style="text-align:left;">Abalados pela cena, os pais de Ana engajam numa briga  homérica de dias que culmina no divórcio; Miguel revela que traiu Ana e que vai largá-la por Helena, porém Ana diz que já fez planos de largá-lo por Helena primeiro. Os dois, então, tornam-se inimigos disputando pelo coração de Helena, a qual não faz nada além de aproveitar os dois (às vezes ao mesmo tempo). As coisas realmente fugiram de controle, e eu já não conseguia consertar nada, tudo o que podia fazer era observar como a trama se desenrolaria.</p>
<p style="text-align:left;">Pois bem, no final, a mãe de Ana entra em uma depressão profunda após o divórcio e comete suicídio depois de dois meses; o pai de Ana muda-se de cidade por meses, e ao retornar, virou um hippie com constantes flashbacks de Woodstock, assumindo sua homossexualidade numa relação com o padre da paróquia. Após descobrir o suicídio de sua ex-mulher, tem um colapso nervoso e passa a crer que se chama Jatobá Unguento e recebe espíritos todas as quartas-feiras, das 18 às 22 horas. Quanto ao triângulo amoroso mote da história, ainda não chegaram a uma solução. Periodicamente beltrano fica com ciclano, ciclano trai beltrano com fulano, os três brigam, fulano fica com beltrano e assim até o infinito.</p>
<p style="text-align:left;">Perdi o controle de tal forma sobre ela que nem mesmo consigo colocar um ponto final. O fim dessa narrativa, assim como na vida, é incerto, pois ela continua seguindo pelos caminhos menos esperados, sob o controle apenas dos que estão nela retratados, ninguém mais. Portanto, não tenho nada para publicar. Peço sinceras desculpas aos leitores pelo incoveniente.</p>
<br />Filed under: <a href='http://prolixoemdemasia.wordpress.com/category/escritos/devaneios/contos-do-cardoso/'>Contos do Cardoso</a> Tagged: <a href='http://prolixoemdemasia.wordpress.com/tag/conto/'>conto</a>, <a href='http://prolixoemdemasia.wordpress.com/tag/conto-improvavel/'>Conto improvável</a>, <a href='http://prolixoemdemasia.wordpress.com/tag/fora-de-controle/'>Fora de controle</a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/prolixoemdemasia.wordpress.com/1405/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/prolixoemdemasia.wordpress.com/1405/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/prolixoemdemasia.wordpress.com/1405/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/prolixoemdemasia.wordpress.com/1405/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/prolixoemdemasia.wordpress.com/1405/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/prolixoemdemasia.wordpress.com/1405/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/prolixoemdemasia.wordpress.com/1405/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/prolixoemdemasia.wordpress.com/1405/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/prolixoemdemasia.wordpress.com/1405/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/prolixoemdemasia.wordpress.com/1405/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/prolixoemdemasia.wordpress.com/1405/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/prolixoemdemasia.wordpress.com/1405/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/prolixoemdemasia.wordpress.com/1405/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/prolixoemdemasia.wordpress.com/1405/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=prolixoemdemasia.wordpress.com&amp;blog=5332273&amp;post=1405&amp;subd=prolixoemdemasia&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Apenas um deslize</title>
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		<pubDate>Tue, 23 Aug 2011 18:37:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ivan</dc:creator>
				<category><![CDATA[Contos do Cardoso]]></category>
		<category><![CDATA[conto]]></category>
		<category><![CDATA[Fábula]]></category>
		<category><![CDATA[Morte]]></category>
		<category><![CDATA[Verdun]]></category>

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		<description><![CDATA[A 17 de dezembro de 1916, na batalha de Verdun,  o general de brigada Renaud Ventouse  padecia de um tiro que lhe atravessava todo o comprimento da caixa craniana, entrando por um lado e saindo pelo outro. Ironia da vida, no seguinte dia a peleja encontraria seu fim, e seu corpo seria deixado à própria [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=prolixoemdemasia.wordpress.com&amp;blog=5332273&amp;post=1385&amp;subd=prolixoemdemasia&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">A 17 de dezembro de 1916, na batalha de Verdun,  o general de brigada Renaud Ventouse  padecia de um tiro que lhe atravessava todo o comprimento da caixa craniana, entrando por um lado e saindo pelo outro. Ironia da vida, no seguinte dia a peleja encontraria seu fim, e seu corpo seria deixado à própria sorte após a retirada dos combatentes. A sua foi a última baixa registrada.</p>
<p style="text-align:justify;">No dia 20 de março de 1916, porém, o mesmo general de brigada Renaud Ventouse estranhamente acordou de sobresalto para encontrar-se na mesma trincheira de 3 dias atrás -esta agora uma planície mórbida e deserta-, com seu corpo a ser devorado por insetos, larvas e outros necrófagos. Como seria de se esperar de qualquer um que se visse como prato principal de um banquete nefasto, o susto e o pavor fizeram-no levantar-se e correr agitando o corpo para se livrar dos diminutos comensais, feito que demorou lá seus 5 minutos para atingir total sucesso.</p>
<p style="text-align:justify;">Enquanto batalhava contra a horda de necrófagos que pululavam sobre si, o general de brigada podia jurar ouvir gritos ao longe, mas quando se está tendo o corpo devorado, a última preocupação que se passa pela cabeça de uma pessoa sã são gritos além dos próprios. Ao sair vitorioso dessa batalha, sua atenção foi finalmente voltada às vocalizações de outrém, que agora soavam como uma sucessão de &#8220;Ei&#8221;s, &#8220;Você mesmo&#8221;s e &#8220;O que pensa que está fazendo&#8221;s, mas ao redor, nenhuma silhueta de formato humanóide apresentava-se ao alcance da vista. Intrigado, o general de brigada apurou ainda mais a audição para perceber que esses gritos vinham da direção de seus pés, mais especificamente, dos pequeninos comensais que tiveram sua ceia interrompida de tão bruta forma.</p>
<p style="text-align:justify;">&#8220;O que diabos pensa que está fazendo, seu pedaço inútil de carne?&#8221;, bradou um escaravelho num tom de voz que se esperaria de um brutamontes brigando em um bar, ao que uma formiga continuou com: &#8220;Volte aqui com minha picanha!&#8221;. Uma miríade de gritos semelhantes continuaram, enquanto seus produtores avançavam em direção àquela grande fonte de alimento. O problema para eles era o fato desta fonte, agora, ser móvel e questioná-los: &#8220;O que vocês querem de mim?&#8221;, mas alguns besouros já estavam com a resposta na língua: &#8220;Devorá-lo, oras. Agora pare de correr e me dê essa carne deliciosa.&#8221; Porém, o general de brigada não recebera sua patente de presente, e resolveu mostrar a seus predadores quem deveria mandar naquela situação. Seus pés pararam e juntaram-se nos calcanhares, seu tronco endireitou-se, seus músculos enrijeceram-se, seu peito inflou-se, seu braço esticou-se perpendicular a o corpo, dando a mesma ordem que sua garaganta produziu: &#8220;Parem!&#8221;, e eles pararam. &#8220;O que, por Deus, pensam que estão fazendo, seus vermes?&#8221;, ele continuou, &#8220;pensam que podem deliciar-se sobre o corpo vivo de um humano? E não só um humano qualquer, de um general de brigada? Não reconhecem a superioridade quando ela está em sua frente? Seus vermes imundos, merecem o pior dos castigos! Retirem-se do meu campo de batalha, vermes!&#8221;</p>
<p style="text-align:justify;">&#8220;Porque ele continua repetindo que somos vermes? Isso não é nenhuma novidade&#8221;, uma mosca comentou com outra, a qual respondeu: &#8220;Ele bem que poderia calar a boca e ficar quietinho como os outros cadáveres&#8221;. Uma terceira mosca ouviu essa conversa e gritou para a grande refeição que continuava com seu discurso: &#8220;Porque você não fecha sua boca e permanece deitado como os outros?&#8221;, causando uma comoção geral na diminuta platéia. O general de brigada continuou argumentando, sempre invocando sua patente e a condição vérmica dos ouvintes, fazendo um besouro erguer a voz: &#8220;Pouco nos importamos com sua posição social! Não percebe o que está causando aqui? Seu egoísmo não apenas está deixando centenas à beira da inanição, como está destruindo famílias!&#8221;, ele apontou para uma mosca que, em lágrimas, protegia suas pequeninas larvas com seus braços, tentando acalmar seus gritos de fome com palavras de esperança. &#8220;Não vê?!&#8221;, ele repetiu, agora emocionado. &#8220;Olhem, eu compreendo que sua situação está complicada, mas não podem se alimentar de um ser vivo, é repulsivo. Especialmente um de tão alto escalão social. Desculpem-me, mas terão que procurar por um defunto para conseguir o que estão procurando.&#8221;, disse o general de brigada, recebendo como resposta: &#8220;Mas você é um defunto! Tomou um tiro na cabeça! Eu vi com meus próprios olhos! Não há ser vivente que sobreviva a isso!&#8221;, &#8220;Certamente não sou! Pareço muito vivo, não?&#8221;, contra golpeou o nosso general, dando início a uma reunião de cúpula entre os famintos invertebrados:</p>
<p style="text-align:justify;">&#8220;É verdade que está falando&#8221;, &#8220;Mas há menos de quinze minutos estava deitado e imóvel&#8221;, &#8220;Vejam como agora está de pé&#8221;, &#8220;E argumentando!&#8221;, &#8220;Bobagem, já vi esse truque antes em um circo na Polônia&#8221;, &#8220;Olhem, todos sentimos como sua carne já estava fria&#8221;, &#8220;Sim, mas isso era antes&#8221;, &#8220;Uma bala lhe atravessou a cabeça! Não deveríamos estar discutindo isso! Está morto e ponto!&#8221;, &#8220;Talvez seja uma reencarnação&#8221;, &#8220;Talvez ele seja o Messias&#8221;, &#8220;O Salvador!&#8221;, &#8220;Meu Deus, acho que estamos presenciando um milagre!&#8221;, &#8220;Sim, um milagre!&#8221;, &#8220;A questão não é essa, senhores&#8221;, &#8220;Está me dizendo que não acredita em reencarnação?&#8221;, &#8220;Isso pouco importa, a questão é que estamos todos famintos, e nossa refeição acabou de levantar e está tentando se auto afirmar com sua patente de general&#8221;, &#8220;E o que faremos quanto a isso?&#8221;, &#8220;Precisamos descobrir se está vivo ou não&#8221;, &#8220;Do que importa saber disso? Eu digo que devemos atacá-lo logo e acabar com essa história. Se ele está morto, pronto, se não, nós o faremos&#8221;, &#8220;Calma lá, nos alimentamos dos mortos, não os produzimos&#8221;, &#8220;Alguém aqui por acaso estava perto do coração?&#8221;, &#8220;Eu, aqui!&#8221;, &#8220;Muito bem, filho, o que pode nos dizer sobre o batimento?&#8221;, &#8220;Não havia nenhum&#8221;, &#8220;Bom, está decidido, está morto&#8221;, &#8220;Mas isso era antes, agora o maldito fala e pensa&#8221;, &#8220;Vamos então descobrir se o coração bate agora&#8221;, &#8220;Todos apóiam?&#8221;. Um sim percorreu a boca da maioria.</p>
<p style="text-align:justify;">Um besouro negro aproximou-se do general de brigada e começou: &#8220;Escute, senhor, compreendemos o quão complicada e incomum é a presente situação, portanto pedimos apenas um favor: veja  se seu coração ainda bate&#8221;. O general de brigada pôs a mão sobre o peito e não sentiu nada. &#8220;Está parado&#8221;, disse ele. &#8220;Então é um cadáver! O jantar está servido!&#8221;, gritou o besouro. &#8220;Esperem, não podem fazer isso com meu corpo&#8221;, argumentou o defunto, &#8220;apesar de meu coração não mais bater, eu ainda pareço muito vivo, não concordam? Logo, o corpo é meu, e não permito que o façam.&#8221;, &#8220;Desde quando um defunto tem direito sobre o próprio corpo?&#8221;, perguntou uma mosca, e a horda de comensais pôs-se a marchar para o grande pedaço de carne à sua frente.</p>
<p style="text-align:justify;">O corpo antes pertencente ao general de brigada Renaud Ventouse sentiu suas forças esvaindo, sua visão embaçando. Caiu sobre os joelhos, estava fraco. Quando o diminuto exército finalmente alcançou seu objetivo, o corpo já estava novamente deitado, frio, imóvel. Aos seus pés, outros pés pousavam, apoiando um corpo mortificado escondido sob uma manta negra que lhe deixava apenas as mãos e o rosto de fora. &#8220;Ora, ora, se não é a Morte&#8221;, veio o besouro negro puxando papo com a própria. &#8220;Sim, se não sou eu mesmo. Desculpem-me a demora, senhores, com toda essa história de guerra, tenho estado atolada de trabalho, e, aproveitando meus momentos de distração,  um ou outro tem conseguido escapar&#8221;. &#8220;Que bom que chegou a tempo&#8221;, respondeu o besouro, &#8220;ninguém mais estava aguentando esse palhaço.&#8221;, &#8220;Você sabe como são esses militares, todos arrogantes e prepotentes.&#8221;, disse a Morte, e continuou: &#8220;Agora vá lá antes que não lhe sobre nenhum pedaço.&#8221;, mas o besouro, curioso, perguntou: &#8220;Mas, se me permite uma questão, senhora, existe reencarnação?&#8221;, sendo a resposta dada apenas um sorrisinho e um até logo. E, tão rápido quanto chegou, a Morte esvaiu-se no ar para cumprir seu triste porém necessário papel em algum outro canto do mundo.</p>
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		<title>Os três estados do tempo</title>
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		<pubDate>Sun, 03 Jul 2011 17:13:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ivan</dc:creator>
				<category><![CDATA[Devaneios]]></category>
		<category><![CDATA[Gasoso]]></category>
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		<category><![CDATA[Tempo]]></category>

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		<description><![CDATA[Se um viajante intrépido atingir a praia com seu nado, poderá secar seu corpo nos arredores de seu passado. Passado não é um tempo, mas um lugar. Apesar de conhecer suas ruas, costumes e pessoas minuciosamente, ele não poderá entrar, muito menos seus gritos e pedidos serão respondidos do outro lado das paredes. Quiçá circunde [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=prolixoemdemasia.wordpress.com&amp;blog=5332273&amp;post=1353&amp;subd=prolixoemdemasia&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">Se um viajante intrépido atingir a praia com seu nado, poderá secar seu corpo nos arredores de seu passado. Passado não é um tempo, mas um lugar. Apesar de conhecer suas ruas, costumes e pessoas minuciosamente, ele não poderá entrar, muito menos seus gritos e pedidos serão respondidos do outro lado das paredes. Quiçá circunde incessantemente essas muralhas impenetráveis, procurando por uma brecha ou um portão, mas estas são sólidas demais para permitir a entrada de qualquer visitante. Cansado e frustrado, ele ficará estendido ao sol quente, do lado de fora dessa cidade, podendo apenas observar as altas e grossas paredes perfeitas, conínuas e densas, sem qualquer maculação.</p>
<p style="text-align:justify;"> Da mesma forma, se puder se alçar aos céus por indústria própria ou qualquer outro meio, estará mais perto do sol e envolto por seu futuro, talvez sem mesmo perceber. Içado no plano do etéreo, ele poderá ter rápidos vislumbres do porvir, mas terá de interpretá-los nas inconstantes formas das nuvens. Nunca terá certeza do que viu. Se por falha, ou distração, cessem seus meios de sustentação, ele será expulso desse reino por meio de uma queda, pois o etéro é demasiado leve para poder segurar qualquer matéria.</p>
<p style="text-align:justify;">Retorna, então, o viajante a seu tempo de origem, frustrado e cansado, e nada graciosamente com outros de sua índole em suas águas natais. Percebe ele que o presente é o único local onde consegue mover-se livremente, para frente e para trás, para cima e para baixo, para a direita e para a esquerda. Com seus companheiros písceos, confabula sobre suas viagens, e ensina-os que o presente não é uma lagoa como acreditavam, mas um rio, cuja nascente é um ponto de condensação do plano etéreo, e a foz encontra-se no centro das muralhas impenetráveis.</p>
<p style="text-align:justify;">Assim termina a história do viajante, que agora regozija com a sabedoria e o prazer de poder ter liberdade no líquido, pois o passado é muito sólido para penetrar, e o futuro é muito leve para sustentá-lo. A realidade é o presente; a realidade é líquida.</p>
<br />Filed under: <a href='http://prolixoemdemasia.wordpress.com/category/escritos/devaneios/'>Devaneios</a> Tagged: <a href='http://prolixoemdemasia.wordpress.com/tag/gasoso/'>Gasoso</a>, <a href='http://prolixoemdemasia.wordpress.com/tag/liquido/'>Líquido</a>, <a href='http://prolixoemdemasia.wordpress.com/tag/metafora/'>Metáfora</a>, <a href='http://prolixoemdemasia.wordpress.com/tag/solido/'>Sólido</a>, <a href='http://prolixoemdemasia.wordpress.com/tag/tempo/'>Tempo</a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/prolixoemdemasia.wordpress.com/1353/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/prolixoemdemasia.wordpress.com/1353/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/prolixoemdemasia.wordpress.com/1353/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/prolixoemdemasia.wordpress.com/1353/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/prolixoemdemasia.wordpress.com/1353/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/prolixoemdemasia.wordpress.com/1353/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/prolixoemdemasia.wordpress.com/1353/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/prolixoemdemasia.wordpress.com/1353/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/prolixoemdemasia.wordpress.com/1353/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/prolixoemdemasia.wordpress.com/1353/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/prolixoemdemasia.wordpress.com/1353/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/prolixoemdemasia.wordpress.com/1353/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/prolixoemdemasia.wordpress.com/1353/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/prolixoemdemasia.wordpress.com/1353/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=prolixoemdemasia.wordpress.com&amp;blog=5332273&amp;post=1353&amp;subd=prolixoemdemasia&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">Ivo</media:title>
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		<title>Confesso que vivi. Sério, vivi mesmo.</title>
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		<pubDate>Mon, 13 Jun 2011 22:55:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ivan</dc:creator>
				<category><![CDATA[Contos do Cardoso]]></category>
		<category><![CDATA[Charlatões]]></category>
		<category><![CDATA[conto]]></category>
		<category><![CDATA[etc.]]></category>
		<category><![CDATA[Reencarnação]]></category>
		<category><![CDATA[Vidas Passadas]]></category>

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		<description><![CDATA[Esbaforido e irritado, eu sentava o pé no acelerador do meu Monza 1.6 pela Avenida Paulista, atingindo a impressionante marca de 70 km/h graças à minha impaciência de fazer uma revisão anual adequada. Ia direto para a casa do meu grande e estimado amigo Marquinhos entregar-lhe um murro na cara por ser o motivo de [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=prolixoemdemasia.wordpress.com&amp;blog=5332273&amp;post=1343&amp;subd=prolixoemdemasia&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">Esbaforido e irritado, eu sentava o pé no acelerador do meu Monza 1.6 pela Avenida Paulista, atingindo a impressionante marca de 70 km/h graças à minha impaciência de fazer uma revisão anual adequada. Ia direto para a casa do meu grande e estimado amigo Marquinhos entregar-lhe um murro na cara por ser o motivo de minha demissão e possível ruína. Ao quase derrubar sua porta, acabei dando de cara com sua mulher, Marilda, que fugia apressada tropeçando em seus saltos com algumas mudas de roupa dentro de sua bolsa dourada da Luis Vitão. Ela me pediu para dar uma boa surra em seu marido por ela, e entrou em seu Uno com a agilidade de uma gazela para nunca mais ser vista. Entrando na casa após relembrar o motivo de estar lá, fui com passos pesados até seu quarto, e, sem rodeios ou discursos, acabei desferindo meu golpe bem na bochecha rechonchuda de (qual não foi a minha surpresa) Ramsés II.</p>
<p style="text-align:justify;">Tudo começou cerca de oito ou nove meses atrás, talvez sete. Meu trabalho como um dos editores da revista <em>Enigmas e Advinhações,</em> de circulação mensal e nacional aprofundava as entradas no meu couro cabeludo e fazia meu colesterol subir a níveis alarmantes, mas, enquanto eu fosse bem pago, isso era apenas um detalhe. Um certo dia, enquanto bebia um café pingado, recebi a proposta de organizar a edição comemorativa de 5 anos da revista. Fui escalado para essa tarefa, pois os diretores tomaram meu suplício por ar enquanto o café entrava em minhas vias respiratórias como um alegre &#8216;sim&#8217;.</p>
<p style="text-align:justify;">Apesar do stress e do quase-infarto que esse trabalho adicional me trouxe, a equipe conseguiu quase fechar a edição semanas antes do prazo. Tudo corria bem, e, além de uma ou duas entrevistas a serem feitas por nossos repórteres, só me faltava conseguir ilustrações para uma matéria sobre reencarnação e relatos de pessoas que descobriram suas vidas passadas através de métodos de tranmissão espiritual, elevação de frequências mentais, mergulhos de almas com a ajuda de cristais e outras charlatonices exageradas. Depois de rejeitar diversos ilustradores, entrei levemente em desespero e resolvi apelar para meu amigo de longa data: o Marquinhos.</p>
<p style="text-align:justify;">&#8220;O Marquinhos é um rapaz bem apessoado que conheci anos atrás num Fla-Flu no Maracanã, o bar azuleijado do Português ali na São João. Arrancamos alguns dentes um do outro à primeira vista, mas ficamos bem amigos na viatura a caminho da delegacia. Depois disso, fomos juntos nas Diretas Já, assistimos comíssios do PT com nossos filhos e conversávamos sobre tudo e mais um pouco. Hoje em dia, ele é um artista plástico frustrado, do tipo que só usa blusas de <em>cashmere</em> pretas, óculos de aro grosso e ostenta um cavanhaque grisalho, deixando sempre em dúvida para qual time joga. Ele já me devia um favor, pois fui seu analista extra-oficial durante anos, ouvindo tudo o que ele tinha a dizer, especialmente sua obsessão pelo possível significado de seus sonhos, por isso fui atrás dele para cobrá-lo.</p>
<p style="text-align:justify;">Fui recebido em sua casa com o mesmo ardor de sempre, e ao primeiro passo que dei, meu nariz começou a produzir litros de secreção por causa da poeira não espanada, como de costume. Seu aperto de mão quase quebrou algumas de minhas falanges distais, o que disfarcei com uma leve cãibra. Marilda veio me receber aos beijos com seu corpo curvilíneo se movendo com peso por trás do avental de cozinheira.</p>
<p style="text-align:justify;">- Espero que não tenha almoçado, Jorginho, estou fazendo o meu famoso pacu à belle meunière! &#8211; Ela disse  com um sorriso aconchegante em seu rosto, ao qual eu aceitei. Marquinhos foi com ela até a cozinha, ajudar nos preparos do delicioso prato, e eu me juntei a eles, dando apoio moral.</p>
<p style="text-align:justify;">- Então, o que os bons ventos trazem? &#8211; Marquinhos me perguntou depois do almoço, quando já estávamos em seu ateliê, onde não pude deixar de notar uma Mona Lisa numa versão muito mais reveladora que a Vênus de Milo. Dei uma pequena flauteada antes de introduzir o assunto, pois não gosto de cobrar ninguém, mesmo quando me devem quantias que deixariam Bill Gates no chinelo.</p>
<p style="text-align:justify;">- Tudo o que eu peço é que você seja o responsável pela arte dessa matéria. Já fui atrás de vários novos nomes da ilustração editorial, mas nenhum deles mostrou toda a força que você tem. &#8211; Continuei paparicando-o até que resolveu aceitar, mediante leitura prévia do artigo. Como não podia fazer isso, contei com detalhes tudo o que me lembrava da leitura apressada que tive durante um dos momentos mais calmos de stress no trabalho.</p>
<p style="text-align:justify;">- Raveno Molero?! &#8211; Foi a reação dele ao ouvir o nome do charlatão nº1 entrevistado na matéria. &#8211; Jorginho, você não vai acreditar, mas eu venho me consultando com esse cara já faz uns três meses! O cara é um gênio! Ele tem me ajudado muito a compreender a natureza transcedental desses meus sonhos com umas sessões com espíritos, bolas de cristal ,máquinas de fumaça e lasers. &#8211; Fiz uma careta quando ele falou que estava se &#8220;consultando&#8221; com esse traste. &#8211; Quando ele me disse que estava participando de uma matéria em uma revista, achei que fosse uma dessas que aceitam qualquer coisa, não a sua! &#8211; Não tomei esse comentário como ofensa.</p>
<p style="text-align:justify;">- Ah é? Você está compreendendo essa &#8220;natureza transcedental&#8221; dos seus sonhos? Você pode elaborar um pouco mais isso?</p>
<p style="text-align:justify;">- Cara, é uma grande viagem astral que me mostrou a complexidade das outras dimensões que permeiam a nossa realidade e intercruzam nosso plano em diferentes frequências, ligando o passado com o presente e definindo o futuro, somente acessíveis aos que liberam sua mente e enxergam através do terceiro olho que já foram o que não são e que são o que não foram, sem deixar de lado o fato de que o espírito pula de tempos em tempos, sofrendo pequenas mudanças, assumindo carcaças corpóreas para cumprir diferentes missões de cunho local ou interplanetário, entende?</p>
<p style="text-align:justify;">Não, eu não entendi. Mas fingi que sim, movendo a cabeça verticalmente a cada duas ou três palavras, mantendo meus olhos em um constante estado de catatônia, e a mão sobre a boca para afastar a tensão sofrida por esse discurso. Resolvi tirar essa história a limpo, perguntando o que tudo isso significava, ao que ele me respondeu sucintamente: &#8220;Eu vejo minhas reencarnações.&#8221; Antes de receber outra dessas explicações quilométricas, fingi que estava com pressa e marcamos o prazo para dali a dois dias, o que me deixaria com uma folga de uma semana para fechar a edição.</p>
<p style="text-align:justify;">Na mesma noite, recebi uma ligação sua. Ele estava completamente exaltado e um pouco preocupado, dizendo-me que não era à toa que conseguia discutir toda a filosofia de Kant enquanto tomava sopa de ervilhas: ele fora Kant. Era tarde da noite e eu não quis discutir, mas ele insistia que o tal Molero estava mudando sua vida. No prõximo dia, ele me ligou no trabalho, contando sobre a nova consulta que tivera com o charlatão. Desta vez, descobriu que já fora um domador de tigres indiano, e que uma de suas encarnações fora um naturalista vitoriano etc. Quando cobrei-lhe as ilustrações, ele me deu notícias animadoras:</p>
<p style="text-align:justify;">- Está tudo indo muito bem. É como mágica, Mauro! Tudo flui, e devo terminar até amanhã de manhã! Meu Deus, quantas idéias! Tudo bem se eu usar o tema para uma nova série de quadros?</p>
<p style="text-align:justify;">No dia do prazo que estipulamos, passei na sua casa depois do trabalho. Marilda me recebeu sensualmente como sempre, e disse que estava muito sozinha ultimamente, já que o Marquinhos não saía do ateliê. Animado corri até lá, onde o encontrei envolto por telas brancas, e nenhum sinal das ilustrações. Ele tinha um ar taciturno, e estava um pouco inconfortável com a minha presença.</p>
<p style="text-align:justify;">- Ah, aquilo? Eu joguei tudo fora. &#8211; Ele me respondeu sobre o favor que me devia. &#8211; Tive um sonho estranhíssimo essa noite, cara, muito sombrio. Logo pela manhã fui visitar o Raveno, e ele me disse que estava tudo muito turvo para ele conseguir ver, e me mandou para o Pai Jacundissá, seu superior. Cara, você não acredita! &#8211; Ele começou a ficar mais animado, apesar de meu rosto já estar mais vermelho que um bom vinho tinto. &#8211; Eu sou Spartacus! Quer dizer, fui.</p>
<p style="text-align:justify;">Não descrevo aqui o bafafá que tomou conta daquele lugar, mas saí de lá com um novo prazo para depois de amanhã. Mal consegui baixar as veias que pareciam querer sair da minha testa, Marilda me ligou com sua voz lustrosa, dizendo que seu marido estava passando por uma de suas crises criativas no momento. Todo e qualquer esboço parava no lixo, e ele já estava aos berros, clamando aos céus por inspiração. Ela me ligou novamente de madrugada, dizendo que a coisa estava parecendo ficar séria, e agora ele andava para lá e para cá com um martelo de carnes dizendo que era Thor, o deus dos trovões. Relutante, dirigi até lá para encontrar o local mais calmo do que o esperado. Ela atendeu a porta com seu babydoll rosa, dizendo que estava tudo sob controle, e que seu marido já voltara a trabalhar. Não pude vê-lo para não atrapalhar o fluxo de idéias, mas dormi um pouco mais tranquilo.</p>
<p style="text-align:justify;">Findado o prazo, fui colher os espólios de sua inspiração, mas encontrei-o nadando em meio a pilhas e pilhas de arte vanguardista, dizendo que deveria quebrar com a forma. Pousando os olhos em mim, ele voltou a si e tentou se desculpar:</p>
<p style="text-align:justify;">- Olha, Maurinho, está sendo muito difícil. Toda a noite eu tenho mais sonhos, e toda manhã eu vou ver o Pai Jacundissá. Eu descubro cada coisa impressionante, que está difícil aceitar que eu sou essa pessoa tão insignificante. Mas eu estou usando isso pra tentar criar suas ilustrações, mas são tantas inspirações diferentes, que nada parece bom o suficiente. -  A lucidez durou pouco tempo, pois começou a discursar sobre um tal de Tristan Tzara.</p>
<p style="text-align:justify;">Saí de lá quando ele começou a me pedir dinheiro para comprar mais material, e resolvi conseguir minhas ilustrações usando o único oráculo em quem confio: o Google. Em quinze minutos, encontrei tudo o que precisava, e no próximo dia fechamos a edição especial. As revistas foram para as bancas e venderam como saci em pote, ou seja, melhor do que o esperado.</p>
<p style="text-align:justify;">Deixei de falar com o Marquinhos, esperando que ele viesse se desculpar comigo, mas não deu em nada. Minha mente, como sempre, não parava de pensar em como Marilda devia estar tendo que aguentá-lo com aquela conversa fiada de vidas passadas, até que recebi uma ligação. Era o meu chefe, que calmamente me informou que as imagens infringiam direitos autorais do maior magnata do mundo das artes, que, coincidentemente, era um assinante, e que estava agora processando a editora,  a qual ameaçava falir, e eu deveria ir na segunda feira pegar a minha carta de demissão. Essa notícia causou mais danos à minha pressão do que a bomba de Hiroshima, me deixando à beira de um colapso nervoso.</p>
<p style="text-align:justify;">No fatídico dia, toda a sombra de calma tinha sido completamente varrida do rosto rugoso do meu chefe. Entrei como um cão acuado em seu escritório, enquanto ele me olhava sério e imóvel. Tentei convencê-lo a mudar de idéia, mas fui retirado de lá aos tapas e gritos, sob a ameaça de nunca mais conseguir um trabalho nessa cidade. Marchei bufando como um touro para os elevadores, onde A Garota de Ipanema não conseguiu me acalmar a tempo de pegar meu Monza 1.6. E o resto vocês já sabem.</p>
<br />Filed under: <a href='http://prolixoemdemasia.wordpress.com/category/escritos/devaneios/contos-do-cardoso/'>Contos do Cardoso</a> Tagged: <a href='http://prolixoemdemasia.wordpress.com/tag/charlatoes/'>Charlatões</a>, <a href='http://prolixoemdemasia.wordpress.com/tag/conto/'>conto</a>, <a href='http://prolixoemdemasia.wordpress.com/tag/etc/'>etc.</a>, <a href='http://prolixoemdemasia.wordpress.com/tag/reencarnacao/'>Reencarnação</a>, <a href='http://prolixoemdemasia.wordpress.com/tag/vidas-passadas/'>Vidas Passadas</a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/prolixoemdemasia.wordpress.com/1343/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/prolixoemdemasia.wordpress.com/1343/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/prolixoemdemasia.wordpress.com/1343/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/prolixoemdemasia.wordpress.com/1343/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/prolixoemdemasia.wordpress.com/1343/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/prolixoemdemasia.wordpress.com/1343/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/prolixoemdemasia.wordpress.com/1343/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/prolixoemdemasia.wordpress.com/1343/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/prolixoemdemasia.wordpress.com/1343/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/prolixoemdemasia.wordpress.com/1343/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/prolixoemdemasia.wordpress.com/1343/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/prolixoemdemasia.wordpress.com/1343/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/prolixoemdemasia.wordpress.com/1343/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/prolixoemdemasia.wordpress.com/1343/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=prolixoemdemasia.wordpress.com&amp;blog=5332273&amp;post=1343&amp;subd=prolixoemdemasia&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Prematuro</title>
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		<pubDate>Fri, 20 May 2011 02:25:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ivan</dc:creator>
				<category><![CDATA[Devaneios]]></category>
		<category><![CDATA[Forever alone]]></category>
		<category><![CDATA[Juventude]]></category>
		<category><![CDATA[Turma da Mônica]]></category>
		<category><![CDATA[Velhice]]></category>

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		<description><![CDATA[&#8220;Foi na época do álbum da Copa. Saindo de casa com trocados no bolso apenas para ir na banca e comprar aqueles envelopes recheados de novas figurinhas, lembrei dos meus tempos de guri. Uma sensação boa me passou pela cabeça quando vi as crianças com os pais comprando o mesmo item tão indispensável nesses tempos. [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=prolixoemdemasia.wordpress.com&amp;blog=5332273&amp;post=1332&amp;subd=prolixoemdemasia&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">&#8220;Foi na época do álbum da Copa. Saindo de casa com trocados no bolso apenas para ir na banca e comprar aqueles envelopes recheados de novas figurinhas, lembrei dos meus tempos de guri. Uma sensação boa me passou pela cabeça quando vi as crianças com os pais comprando o mesmo item tão indispensável nesses tempos. Inebriado pela nostalgia infantil, passei os olhos sobre uns gibis da Turma da Mônica e resolvi levá-los.</p>
<p style="text-align:justify;">Mas pra quê, se você já passou dessa idade?</p>
<p style="text-align:justify;">Ora, para poder reencontrar os personagens com quem vivi grande parte dos meus tempos de infante; para ver se cresceram, ou se continuam os mesmos de alguns anos atrás; para lembrar de como era. Simples assim.</p>
<p style="text-align:justify;">Saí de lá com meus envelopes de figurinhas e uns quatro ou cinco volumes debaixo do braço. Li todos antes do almoço, alguns no banheiro, outros no sofá mesmo, e saciei minha ânsia por memórias. Porém, existiram ressalvas.</p>
<p style="text-align:justify;">Apesar da semelhança fisionômica, não encontrei, de fato, os personagens com quem estava  acostumado. O Cascão virou um saco de sarcasmo; o Franjinha desapareceu; o Humberto virou um filho da puta. O politicamente correto já conquistou esses territórios tembém: o Cebolinha deixou de perseguir tanto a Mônica por causa do <em>bullying</em>, e o Chico Bento, em vez de levar tiro de sal quando é pego com a mão nas goiabas, leva só um pito. Vários personagens surgiram para abranger todas as camadas da população, mas eu nem lembro o nome deles. A Mônica continua a mesma baixinha dentuça forte pra caramba de sempre.</p>
<p style="text-align:justify;">O Piteco virou filósofo e o Horácio continua irritantemente otimista. A Tina ficou mais gostosa. O Maurício de Souza não desenha mais, só assina. O esquema de cores mudou. Tudo mudou. O Faustão está magro. O Gugu está na Record, Cavaleiros do Zodíaco não passa mais na Manchete e Sai de Baixo só existe em reprises na madrugada. A Manchete não existe mais.</p>
<p style="text-align:justify;">Antes eu saia só com a chave de casa no bolso, agora preciso achar espaço para elas. Minha prima de 5 anos tem um celular melhor que o meu. A de 12 tem um notebook próprio e não desce para o playground para encontrar os amigos, fala pelo MSN, mesmo. Antes eu ria com livros de piada que comprava na banca, agora entro em blogs. Não existem mais solitários, existem<em> forever alone</em>s. Ninguém mais cai em pegadinhas, eles são trollados. O chat da UOL não é mais um poço infinito de amizades e o Orkut está esvaziando.</p>
<p style="text-align:justify;">É, Mônica, o tempo passou, eu envelheci e nem percebi. Quem diria que a idade ia me atingir só com dezenove anos?&#8221;</p>
<br />Filed under: <a href='http://prolixoemdemasia.wordpress.com/category/escritos/devaneios/'>Devaneios</a> Tagged: <a href='http://prolixoemdemasia.wordpress.com/tag/forever-alone/'>Forever alone</a>, <a href='http://prolixoemdemasia.wordpress.com/tag/juventude/'>Juventude</a>, <a href='http://prolixoemdemasia.wordpress.com/tag/turma-da-monica/'>Turma da Mônica</a>, <a href='http://prolixoemdemasia.wordpress.com/tag/velhice/'>Velhice</a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/prolixoemdemasia.wordpress.com/1332/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/prolixoemdemasia.wordpress.com/1332/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/prolixoemdemasia.wordpress.com/1332/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/prolixoemdemasia.wordpress.com/1332/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/prolixoemdemasia.wordpress.com/1332/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/prolixoemdemasia.wordpress.com/1332/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/prolixoemdemasia.wordpress.com/1332/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/prolixoemdemasia.wordpress.com/1332/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/prolixoemdemasia.wordpress.com/1332/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/prolixoemdemasia.wordpress.com/1332/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/prolixoemdemasia.wordpress.com/1332/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/prolixoemdemasia.wordpress.com/1332/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/prolixoemdemasia.wordpress.com/1332/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/prolixoemdemasia.wordpress.com/1332/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=prolixoemdemasia.wordpress.com&amp;blog=5332273&amp;post=1332&amp;subd=prolixoemdemasia&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Manhã de uma noite mal dormida</title>
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		<pubDate>Sat, 07 May 2011 17:40:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ivan</dc:creator>
				<category><![CDATA[Devaneios]]></category>
		<category><![CDATA[Manhã]]></category>
		<category><![CDATA[Noite]]></category>
		<category><![CDATA[Sono]]></category>

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		<description><![CDATA[Minhas pálpebras soerguem-se lânguidas e pesadas, abrindo caminho à visão: finas riscas de luminosidade penetram o quarto. O etéreo plano dos sonhos esvai-se à minha volta à medida que volto para a tormentosa realidade em um estado de letargia. Um fluxo de memória, afinal, traz-me à consciência, onde, de fato, conheço a mim mesmo. Sou [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=prolixoemdemasia.wordpress.com&amp;blog=5332273&amp;post=1328&amp;subd=prolixoemdemasia&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Minhas pálpebras soerguem-se lânguidas e pesadas, abrindo caminho à visão: finas riscas de luminosidade penetram o quarto. O etéreo plano dos sonhos esvai-se à minha volta à medida que volto para a tormentosa realidade em um estado de letargia. Um fluxo de memória, afinal, traz-me à consciência, onde, de fato, conheço a mim mesmo.</p>
<p>Sou uma pessoa mesquinha, sou egoísta. Sou hipócrita e carrego meus preconceitos (quem não o faz?). Sou inconsequente, e costumo me arrepender facilmente. Pouco me importam os outros para que consiga o &#8220;prazer do momento&#8221;. Estrago amizades para não perder amores, e vice-versa. Não acredito em amor, mas tenho meus casos. Leio livros não pelo conteúdo, mas pela estética. Quem não acha lindo um volume de capa dura sob uma taça de vinho tinto à lareira no inverno?</p>
<p>Movo meu braço para fora dos lençóis: minha mão está dormente, devo ter dormido em cima dela. Estou triste, mas nada de triste me ocorreu.Nunca deveria ter deixado o plano dos sonhos. Porque, corpo, me fizestes tanto mal? Traga-me de volta à fantasia bem-vivida. Pelo que bem me lembro, estava em um quarto branco, onde as cortinas tremulavam com o vento, carregado com o aroma do jardim. Arrependo-me de ter deixado-o. Leve-me de volta!</p>
<p>O relógio finalmente desperta. Atrasado, como sempre.</p>
<p>O bocejo e o espreguiço lembram-me de que tenho um corpo. Deixo meus despojos debaixo dos lençóis e me ergo com vitalidade renovada.</p>
<p>Está um dia lindo lá fora.</p>
<br />Filed under: <a href='http://prolixoemdemasia.wordpress.com/category/escritos/devaneios/'>Devaneios</a> Tagged: <a href='http://prolixoemdemasia.wordpress.com/tag/manha/'>Manhã</a>, <a href='http://prolixoemdemasia.wordpress.com/tag/noite/'>Noite</a>, <a href='http://prolixoemdemasia.wordpress.com/tag/sono/'>Sono</a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/prolixoemdemasia.wordpress.com/1328/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/prolixoemdemasia.wordpress.com/1328/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/prolixoemdemasia.wordpress.com/1328/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/prolixoemdemasia.wordpress.com/1328/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/prolixoemdemasia.wordpress.com/1328/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/prolixoemdemasia.wordpress.com/1328/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/prolixoemdemasia.wordpress.com/1328/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/prolixoemdemasia.wordpress.com/1328/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/prolixoemdemasia.wordpress.com/1328/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/prolixoemdemasia.wordpress.com/1328/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/prolixoemdemasia.wordpress.com/1328/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/prolixoemdemasia.wordpress.com/1328/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/prolixoemdemasia.wordpress.com/1328/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/prolixoemdemasia.wordpress.com/1328/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=prolixoemdemasia.wordpress.com&amp;blog=5332273&amp;post=1328&amp;subd=prolixoemdemasia&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">Ivo</media:title>
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		<title>Popularidade</title>
		<link>http://prolixoemdemasia.wordpress.com/2011/04/08/popularidade/</link>
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		<pubDate>Sat, 09 Apr 2011 00:39:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ivan</dc:creator>
				<category><![CDATA[A Arte da Inutilidade]]></category>
		<category><![CDATA[Blogging]]></category>
		<category><![CDATA[Popularidade online]]></category>
		<category><![CDATA[Vida moderna]]></category>

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		<description><![CDATA[- Cara, você viu só? - O que? - Meu blog! Está super popular! - Mas você me disse que o movimento estava fraco. - Ah, quem se importa em receber visitas?! O negócio é que eu estou recebendo comentários com spam! - Spam?! Mas porque é bom receber spam?! - Ora, porque os spams [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=prolixoemdemasia.wordpress.com&amp;blog=5332273&amp;post=1319&amp;subd=prolixoemdemasia&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>- Cara, você viu só?</p>
<p>- O que?</p>
<p>- Meu blog! Está super popular!</p>
<p>- Mas você me disse que o movimento estava fraco.</p>
<p>- Ah, quem se importa em receber visitas?! O negócio é que eu estou recebendo comentários com spam!</p>
<p>- Spam?! Mas porque é bom receber spam?!</p>
<p>- Ora, porque os spams são os indicadores online de popularidade!</p>
<p>- Ah, é?</p>
<p>- É! Quem mandaria spam para uma página onde ninguém entra? Eles miram alto, atacam aqueles lugares onde várias pessoas podem ver!</p>
<p>- E quem vê sua página?</p>
<p>- Ah, você sabe, umas pessoas por aí&#8230;</p>
<p>- Tá, e quando você vai postar coisas novas?</p>
<p>- Acho que vai demorar um pouquinho.</p>
<p>- Por qual motivo?</p>
<p>- Estou sem computador por um tempo.</p>
<p>- Por quê?</p>
<p>- Cliquei num spam por aí e peguei um vírus fudido.</p>
<br />Filed under: <a href='http://prolixoemdemasia.wordpress.com/category/escritos/devaneios/a-arte-da-inutilidade/'>A Arte da Inutilidade</a> Tagged: <a href='http://prolixoemdemasia.wordpress.com/tag/blogging/'>Blogging</a>, <a href='http://prolixoemdemasia.wordpress.com/tag/popularidade-online/'>Popularidade online</a>, <a href='http://prolixoemdemasia.wordpress.com/tag/vida-moderna/'>Vida moderna</a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/prolixoemdemasia.wordpress.com/1319/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/prolixoemdemasia.wordpress.com/1319/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/prolixoemdemasia.wordpress.com/1319/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/prolixoemdemasia.wordpress.com/1319/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/prolixoemdemasia.wordpress.com/1319/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/prolixoemdemasia.wordpress.com/1319/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/prolixoemdemasia.wordpress.com/1319/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/prolixoemdemasia.wordpress.com/1319/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/prolixoemdemasia.wordpress.com/1319/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/prolixoemdemasia.wordpress.com/1319/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/prolixoemdemasia.wordpress.com/1319/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/prolixoemdemasia.wordpress.com/1319/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/prolixoemdemasia.wordpress.com/1319/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/prolixoemdemasia.wordpress.com/1319/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=prolixoemdemasia.wordpress.com&amp;blog=5332273&amp;post=1319&amp;subd=prolixoemdemasia&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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